quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

PADRE CORNÉLIO

Projeto de Lei 1287/76 - CEP: 35680-324
Denomina logradouro público: Travessa Padre Cornélio / Bairro Graças


“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. ” Isaías 6:8

Na década de 1954, o Monsenhor Hilton Gonçalves de Souza, em seu artigo: “Itaúna e seus Vigários”, resenhou sobre a história religiosa da Paróquia de Sant'Ana e de seus párocos, do período de 1841 até 1943, dizendo que, “graças a Deus, neles, Itaúna sempre teve exemplo de moderação e de virtudes, frequentemente admiráveis” (ACAIACA, 1954). O Monsenhor elencou que, esta história poderia ser dividida em dois períodos distintos – o Antigo e o Novo.
Sobre o “período novo”, segundo nos informa o Monsenhor Hilton, inicia-se a partir do ano de 1924  com Padre Cornélio, sendo o 6º pároco de Itaúna.
Com o Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, abre-se um período novo, segundo período. Colocou - o Deus em Itaúna, com a missão de realizar, na Paróquia uma transformação formidável. Cabe-lhe a glória de ter rasgado, aos olhos do povo, um quadro novo, um cenário realista – de mostrar-lhe a religião como alguma coisa séria, que envolve toda a nossa existência e criar, de fato, uma vida cristã, na Paróquia. Por isto mesmo, creio eu, foi o maior de todos os vigários de Itaúna, o que realizou trabalho mais difícil – vencendo preconceitos, destruindo uma mentalidade secularmente errada.  Não vai isto em desdouro dos grandes sacerdotes que lhe seguiram o caminho. Mas foi ele o iniciador e o realizador desta obra admirável.
Vivo, espirituoso, alegre, sabia compreender e amar o povo. Não se enquadrava nos ângulos apertados do rigorismo - mas era cioso dos direitos e dos interesses da Igreja. Fundou associações religiosas, remodelou as existentes, organizou o serviço religioso e criou, em Itaúna, um círculo de admiração e de amizade, que só desaparecerá, quando se extinguirem as gerações que lhe aprenderam exemplo de virtudes e receberam os seus admiráveis ensinamento. (ACAIACA,1954)
No dia 7 de outubro de 1924, chegava em Itaúna o Pe. Cornélio Pinto da Fonseca sendo o coadjutor do Pe. João Ferreira Álvares da Silva, quinto padre da Paróquia de Sant’Anna, o qual, desejava trabalhar na Santa Casa de Itaúna e fazendo um pedido ao Bispado de Belo Horizonte, foi prontamente atendido seu desejo (TOMBO, p.7v). Por carta, o Bispo da capital mineira, anunciava as boas novas a Paróquia de Sant'Ana:
Dom Antônio, dos Santos Cabral. Por mercê de Deus e da Santa Fé Apostólica, Bispo de Belo Horizonte. Aos seus esta Provisão virem, Saudações, Paz e Bênçãos no Senhor.
Fazemos saber que, atendendo nós ao bem espiritual do rebanho que pela Divina Misericórdia, foi confinada à nossa pastoral solicitude e querendo que os fiéis da Paróquia de Itaúna deste nosso Bispado não fiquem privados de pastor que zele de sua eterna salvação: Havemos por bem prover, como pelo presente nossa Provisão, faremos na recuperação de Vigário Encomendado dessa Igreja, com as faculdades ordinárias por tempo de um ano se antes não determinarmos o contrário, ao Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, servirá este cargo como convêm ao serviço de Deus e aos bens das almas de seus paroquianos ... (TOMBO, p.7v).
O Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, no dia 8 de dezembro de 1924 era nomeado pároco da Paróquia de Sant’Anna de Itaúna e o Pe. João Ferreira Álvares era nomeado capelão da Santa Casa de Itaúna.  Por ocasião desta posse, o Pe. Cornélio elaborou um Inventário da Igreja Matriz de Itaúna que está disponível para pesquisa em: https://itaunaemdecadas.blogspot.com.br/2017/01/velha-matriz-de-itauna.html
No ano de 1926, o Pe. Cornélio fez um “Remodelamento da Matriz”:
A Matriz estava em condições nojentas e miseráveis. Com a graça de Deus e pela reforma completa que sofreu, tomou outro aspecto bem agradável. O telhado onde se alojavam milhares de morcegos foi todo removido e outra vez engessado; as paredes caiadas; as grades que no centro da Matriz formavam uma espécie de V foram suspensas como também 2 púlpitos à altura do côro nas paredes; no assoalho foi aplanado e aí colocados bancos; todas as figuras muito mal pintadas no forro e outros lugares foram cobertas por nova tinta a óleo. A importância deste gasto foi de 6:848$145 - seis contos, oitocentos e quarenta e oito mil e cento e quarenta e cinco réis (TOMBO, p.14).
No dia 5 de junho de 1927, Pe. Cornélio recebia na Igreja da Matriz, o Pe. Rossini Cândido Nogueira, que celebrava sua primeira missa em terra natal, visto que, no dia 29 de maio do mesmo ano, havia recebido as ordens sacras na arquidiocese da capital mineira. Neste dia especial de celebração estavam presentes: o vigário geral do arcebispado, Monsenhor João Rodrigues, o Major Senócrit Nogueira, seu pai adotivo, o advogado dr. Mário Matos e o historiador João Dornas Filho.  Após a missa solene, foi oferecido um “banquete” no salão do Club Itaunense, cujo homenageado foi felicitado e abraçado por todos. (LAR CATHÓLICO, 1927)
Importante registar que, o Pe. Rossini foi criado e educado pelo Major Senócrit Nogueira, sendo uma figura saliente no clero mineiro pelos seus dotes intelectuais. O jovem sacerdote escolheu morada definitiva na cidade de Juiz de Fora.(DORNAS, 1951).      
Ano de 1928, chegava ao fim a passagem de Pe. Cornélio por Itaúna, todavia, mesmo sendo um curto período de apenas quatros anos de intensos trabalhos à frente da paróquia, o sacerdote logrou cumprir muito bem a sua missão.
Início do ano de 1929, o Pe. Cornélio fixava nova residência em Belo Horizonte e atento ao novo chamado de Dom Antônio dos Santos Cabral, o pároco assumia novamente a missão de servir a Deus e ao próximo, tendo como local, a Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem.
Neste mesmo ano, o Jornal “O Paiz”, registra uma manifestação do encontro de católicos, vindo de várias cidades mineiras para a capital, com o objetivo de expressar gratidão ao Presidente do Estado de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. A manifestação teve grandioso e inexcedível brilho, sendo o maior movimento coletivo registrado em Minas. Eis um trecho da reportagem do jornal:
As 16:30 horas realizou-se um corrido Te Deum na praça da Liberdade. A cerimonia sacra foi cantada por grande coro, sob a direção do maestro Justino da Conceição. Tomou parte no grupo um grande número de alunas da professora Branca de Carvalho, docente da Escola Normal de Belo Horizonte. Ao chegar à praça da Liberdade, acompanhando de seus secretários de governo e de altas autoridades, o presidente Antônio Carlos foi recebido pelos Drs. Policarpo Viotti, Álvaro Benício de Paiva e pelo Pe. Cornélio Pinto da Fonseca, que o conduziram à tribuna de honra. (O PAÍZ, 1929).
Grandes obras e desafios Pe. Cornélio Pinto da Fonseca vivenciou e realizou. Ainda como registro de seus trabalhos, na década de 30 fixou nova  residência em São Paulo, tornando-se Frade Carmelita Descalço e vindo a falecer no ano de 1974, uma vez que, sua terra natal, era Cardosos de Pitangui, hoje Conceição do Pará-MG.
No ano de 1976, a Paróquia de Sant’Ana enviou uma carta a Prefeitura informando a importância de homenagear os “vigários que passaram por Itaúna” — o desideratum foi aceito.

Padre Cornélio


REFERÊNCIAS:
FILHO, João Dornas. Itaúna: Contribuição para a história do município, 1936.
Livro do Tombo da Paróquia de Sant’Anna de Itaúna -  15/09/1902 a 31/12/1947.
Revista Acaiaca, 1954.
Itaúna Décadas: Velha Matriz de Itaúna:   https://itaunaemdecadas.blogspot.com.br/2017/01/velha-matriz-de-itauna.html
Diocese de Divinópolis/Minas Gerais. Disponível em: <https://www.diocesedivinopolis.org.br/index.asp?c=padrao&modulo=conteudo&url=5213>.  
 Paróquia Sant’Anna Itaúna. Disponível em:< http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php>.
Carmelitas Descalças da Ordem da Bem-Aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo. Disponível em: http://www.carmelitasbh.com/historico
PERIÓDICOS:
JORNAL: O PAIS, RJ, 1929, nº 16.248 e 16249, p.2 
JORNAL: LAR CATHOLICO, Juiz de Fora, 1927, nº 28, p.223
ACERVO: Paróquia Sant’Ana de Itaúna - Galeria de Párocos. Disponível em:    http://www.paroquiadesantana.com.br/site/index.php/2015-12-01-14-05-07/galeria-de-parocos
PESQUISA:
Patrícia Gonçalves Nogueira
PROJETO DE LEI DOS LOGRADOUROS: Prefeitura Municipal de Itaúna
PESQUISA TEXTO E ELABORAÇÃO:
Charles Galvão de Aquino. Pós-Graduando em História e Cultura no Brasil Contemporâneo - Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).


domingo, 17 de dezembro de 2017

PADRE NILO

Projeto de Lei 59/2017 - CEP: 35680-000
Denomina logradouro público: Rua Padre Nilo / Bairro São Bento Etapa II

A Câmara Municipal de Itaúna, estado de Minas Gerais, decreta:
Art. 1º Denominar-se-á “Rua Padre Nilo” o logradouro público (Rua 01) desta cidade de Itaúna – MG, localizado no Bairro São Bento Etapa II, que tem seu início na Rua 09, passando pelas quadras 10, 11, 12, 13, 14, 15, 08 e 09 e pelas Ruas 06, 10, 02, 03, 04, tendo seu término na Rua 05.
Art. 2º A Administração Pública Municipal providenciará a colocação de placas indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Itaúna e a Companhia Energética de Minas Gerais.
Art. 3º As despesas decorrentes desta Lei correrão por conta de dotações próprias do orçamento vigente do Executivo Municipal.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA
Padre Nilo Caetano Pinto nasceu no Distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 1930. Filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Diniz, teve mais seis irmãos. Aos 11 anos de idade perdeu o pai e começou a trabalhar para ajudar em casa, entretanto, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física na Universidade Federal de Minas Gerais e também é formado ainda em Direito sem nunca ter exercido a profissão.
Em 1958, casou-se com Florescena Diniz Guimarães Pinto. Quando tinha 28 anos constituiu uma grande família de 8 filhos são Liliane Guimarães, Carlos Eduardo Guimarães, Rogério Augusto Guimarães, Adriano José, Gislaine Guimarães, Cristiane Guimarães, Tatiane Guimarães e Letícia Guimarães, 12 netos e 5 bisnetos.
O convite para trabalhar na cidade partiu do Dr. Guaracy de Castro Nogueira, que possuía um amigo em comum com Padre Nilo e lhe chamou para dar aulas de Educação Física na Escola Normal, atual Escola Estadual de Itaúna, onde atuou por 34 anos como professor e diretor, e no Colégio Santa’Ana, por 26 anos.
Paralelo ao trabalho como educador físico, Padre Nilo também participava regularmente das atividades da Igreja Católica. Criado em uma família religiosa, repassou aos filhos a devoção a Jesus Cristo e os seus ensinamentos. Além de ser vicentino, também era ministro da Eucaristia, ministro do Batismo e testemunha qualificada do matrimônio na Pastoral Familiar e na Pastoral Missionária Rural, ações que eram realizadas na Paróquia Nossa Senhora da Piedade, onde morava.
Após 24 anos de união, em 1982, sua esposa faleceu em decorrência de uma enfermidade. Ainda atuando na igreja, Padre Nilo foi questionado pelo então bispo da época, Dom Cristiano, se ele teria interesse em se casar novamente. Diante da resposta negativa do viúvo, Dom Cristiano o chamou para ser padre.
Achando a decisão difícil, pois já estava com 52 anos e tinha ainda filhos vivendo sob sua responsabilidade, Padre Nilo foi aconselhado por Dom Cristiano a orar para que chegasse a uma resposta. Assim ele fez, e sentiu que era a vontade de Deus aceitar a vocação de ser padre.
Entrou em seguida na Faculdade de Teologia, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, PUC, em Belo Horizonte, onde se preparou durante três anos e seis meses. Mas cumprir os estudos não foi fácil, pois ele ia para a capital mineira diariamente às 5 horas da manhã e retornava às 11h30, para trabalhar à tarde e à noite como professor. Depois de sua aposentaria, em 1990, com 60 anos, foi ordenado padre e recebeu a autorização do Bispo para continuar morando em sua casa até que todos os seus filhos se casassem.
Sua primeira paróquia foi a do Sagrado Coração de Jesus, em Santanense, onde ficou por dois anos; em seguida, a pedido de Dom José Belvino, foi transferido para o bairro Padre Eustáquio, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, por cinco anos. Logo depois, foi chamado pelo Padre Amarildo para ajudá-lo na Paróquia Sant’Ana por outros cinco anos; deixou o Centro por um ano e dez meses para substituir o falecido padre Eli, no bairro de Lourdes, na paróquia Nossa Senhora Aparecida, porém, retornou para a Paróquia Sant’Ana onde exerceu por dezoito anos a função de Vigário Paroquial.
Padre Nilo faleceu com 85anos no dia 11 de março de 2016 no hospital Manoel Gonçalves devido a uma infecção pulmonar. Exerceu sua vocação Sacerdotal por 25 anos. Viveu intensamente e profundamente o Amor a Deus e ofereceu sua vida aos mais necessitados como testemunho de um fiel discípulo missionário de Jesus Cristo. Ele foi um grande ser humano, uma pessoa que tinha muita fé. Sua generosidade, seu coração caridoso deixou marcas profundas nos corações dos procuravam por conselhos, força e orientação.
 Um Sacerdote por amor!

Sala das Sessões, em 25 de abril de 2017
Hudson Bernardes
Vereador


RÉQUIEM PARA O PADRE NILO

Prof. Luiz MASCARENHAS*

ITAÚNA amanheceu mais pobre em seu cenário humano na manhã cinzenta do sábado, dia 12 de março do corrente ano. Partia para a eternidade o nosso tão querido Pe. Nilo.
Dele muito já foi dito e muitos outros escreveram e escreverão muitas lindas mensagens, como linda foi a sua passagem por esta terra.  Deixo aqui, nestes pobres rabiscos, a minha pequena contribuição sobre a Vida deste homem, com quem convivi desde a minha infância.  Cursava eu a antiga 5ª série, no de 1979, há 37 anos – portanto- na Escola Estadual de Itaúna, quando os nossos caminhos se cruzaram a primeira vez.
Lembro-me da calça adidas, com as três listras, a camisa de malha branca, os tênis e um fusquinha que não me lembro bem a cor. Todos os alunos postos em fila na linha vermelha da quadra e em silêncio. Seis horas da manhã. O relógio da Matriz de Sant’ana ecoava por toda a Itaúna a sua primeira badalada. E ele começava sua aula de Educação Física: “o anjo do Senhor anunciou a Maria...” e respondíamos em coro: “e ela concebeu do Espírito Santo” e juntos “Ave Maria...”
Sempre foi um amigo. Sempre. E o foi vida afora. Amigo com o sorriso largo e sincero no rosto, mas também o amigo que sabia dizer não e nos corrigir na caridade para sermos pessoas de bem.
Nilo Caetano Pinto nasceu no distrito de Antônio dos Santos, em Caeté, Minas Gerais, em 24 de março de 1930. Era o filho mais velho de Carlito Caetano Pinto e Antônia Luiza Dinis e teve mais seis irmãos. Órfão de pai aos 11 anos, começou a trabalhar para ajudar em casa, sem deixar de lado os estudos, que seguiu até graduar-se em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais.
Deste tempo de estudos em Belo Horizonte, havia um bom amigo, o Coronel José Lázaro Guimarães e este era casado com dona Eneida Nogueira; irmã do nosso ilustre e saudoso Dr. Guaracy de Castro Nogueira. Foi assim. Uma através de uma indicação do coronel ao Dr. Guaracy que o então Prof. Nilo veio aportar em Itaúna no ano de 1958 (...por aqui, boa gente aportou...como muito bem o cantamos em nosso belo hino municipal...).
Chegou em nossas barrancas já casado com Florescena Diniz Guimarães Pinto e tiveram teve oito filhos, dos quais conheceu 12 netos e um bisneto.
O nosso então Prof. Nilo lecionou na Escola Normal, a Escola Estadual de Itaúna, por 34 anos, como professor e vice-diretor. No Colégio Santa’Ana ficou durante 26 anos. Nilo sempre foi um homem de Fé. Sempre engajado nos movimentos da Igreja. Ajudava com sua Família na Igreja da Piedade e na comunidade Sagrada Família do Bairro Cerqueira Lima, pois residia naquela região; tempos do paroquiato do Pe. Giovanne Van de Laar. Ele e os filhos foram ministros da Eucaristia, da Palavra, do batismo e do matrimônio
Em 1982, dona Florescena, sua esposa, veio a falecer. Foi, sem dúvida, um grande golpe no coração daquele homem. Porém, Nilo já era um homem que se confiava em Deus.
E aos 52 anos, ainda criando os filhos, resolveu dizer sim ao chamado desse Deus. Aqui existiu a figura de um intercessor da Graça Divina. Era nosso primeiro bispo diocesano – Dom Cristiano Portela de Araújo Penna. O Dom Cristiano o indagou se pretendia casar-se novamente. Nilo respondeu-lhe que não havia essa intenção, dado a beleza e profundidade de seu matrimônio e a fidelidade que compartilharam ao longo de 28 anos.
Assim sendo, encaminhou-lhe Dom Cristiano para a Faculdade de Teologia, na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC - em Belo Horizonte.
Após três anos e seis meses de dedicados estudos e preparação, foi ordenado padre por Dom José Belvino do Nascimento, aqui em Itaúna no ano de 1990, no Poliesportivo JK.    Aliás, ele e o Pe. José Geraldo Flores, da Igreja da Piedade aqui, foram os primeiros sacerdotes a serem ordenados na diocese por Dom Belvino- hoje bispo emérito.
A primeira paróquia aonde trabalhou o Pe. Nilo foi a do Sagrado Coração de Jesus, em Santanense, onde ficou por dois anos; em seguida, a pedido de Dom José Belvino, foi transferido para o bairro Padre Eustáquio, na Paróquia Nossa Senhora de Fátima, por cinco anos. Logo depois, foi chamado pelo Pe.  Amarildo para ajudá-lo na Paróquia Sant’Ana por outros cinco anos; deixou-a apenas por um ano e 10 meses para substituir o falecido Pe Heli Lourenço, no bairro de Lourdes, na paróquia Nossa Senhora Aparecida e retornando em definitivo para a Paróquia Sant’Ana.
Um outro amigo itaunense, o Pe. Phillipe Fernandes, disse que o Pe. Nilo foi o padre que ninguém viu envelhecer... E muitos o chamavam de “o homem dos 7 sacramentos”...
Ora, para nós católicos, os sacramentos são sinais visíveis da graça de Deus. São veículos dessa graça. E a maioria dos homens parte deste mundo com 6 sacramentos; pois ou se tem o sacramento do matrimônio ou o da Ordem (que confere o sacerdócio católico).
Pois bem. O nosso mui especial Pe. Nilo partiu daqui na plenitude da graça! Com todos os 7 sacramentos! O último foi-lhe ministrado no leito do hospital, a unção dos enfermos, que o preparou para ir de encontro a Deus. Fica para nós- itaunenses – agora o grande exemplo.
Em meio a tantas crises; eis o exemplo de Padre Nilo para nós. Exemplo de pai, exemplo de padre, exemplo de fidelidade, à Deus, à sua Palavra sobretudo. Enquanto esposo, honrou plenamente seu casamento sendo-lhe fiel até a morte de sua esposa. Enquanto padre, honrou plenamente o seu sacerdócio, sendo-lhe eternamente fiel. Enquanto homem, honrou plenamente a espécie humana, sendo humano com os humanos! Homem de profunda espiritualidade e oração, sabia ouvir a Deus no silêncio meditativo de suas orações. Homem de profunda humanidade...sabia e se dispunha sempre em ouvir o outro.
Pe. Nilo o homem do sim! Sim a Deus! Sim ao homem! Ouvia Deus e ouvia o seu semelhante. Sempre. Eis uma de suas grandes dificuldades...dizia sim para todos e para tudo, a ponto de embolar seus compromissos e abarrotar sua agenda de atividades e atendimentos de toda espécie. Desde benzer uma casa a salvar um casamento em crise. Desde dar um conselho a impedir uma grande bobagem.
Pe. Nilo em sua grande simplicidade evangélica. Era de se admirar. Nas missas, logo trocava de lugar com os coroinhas para que eles ficassem perto uns dos outros para seguirem a Palavra no lecionário. Preferia distribuir a comunhão pelos lados da igreja e quase nunca no centro. Nunca gostou das pompas litúrgicas. Vestia-se com os paramentos mais simples. Quase nunca usou uma casula (grande vestimenta que se assemelha a uma capa fechada) .... Foi velado numa igreja de bairro (nas Graças) e não na majestosa Matriz de Sant’Ana…e fora um pedido seu- salvo engano.
Tratou de partir em uma noite de sexta, para que tivéssemos parte do sábado para cuidar dos ritos de sua passagem – quando a maioria do Clero está mais livre- e com o domingo para descansar e assim não atrapalhar ninguém de nada, como era bem de seu feitio...
Como esquecer os bolsos cheios de balas para as crianças que ainda não tinham feito a primeira comunhão... adoçadas para sentir a doçura de Deus!
Ah Pe. Nilo! Tínhamos um Cura d’Ars e não sabíamos.... Descanse em Paz meu Pe. Nilo. Recebe agora a coroa da Justiça, a qual o Senhor, Justo Juiz, lhe deu naquele dia!
 Misture sua luz a das estrelas...cintile quando o dia clarear.
Réquiem aeternam dona eis domine, et lux perpetua luceat eis.

*paroquiano de Sant’Ana

Padre Nilo

REFERÊNCIAS:
Pesquisa: Alexandre Campos
Texto I: Hudson Bernardes
Texto II: Prof. Luiz Mascarenhas
Organização: Charles Aquino
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna


PROFESSOR EXPEDITO CAMPOS

Projeto de Lei 166/2017 - CEP: 35680-000
Denomina logradouro público: Avenida Professor Expedito Campos / Bairro Olímpio Moreira

O Povo do Município de Itaúna, por seus representantes, decreta e eu Prefeito Municipal, em seu nome, sanciono a seguinte Lei.
Art. 1º Denominar-se-á “Avenida Professor Expedito Campos” o logradouro público (Avenida 01), no bairro Olímpio Moreira, que tem seu início na avenida São João, passando pelas quadras 06 e 13, Área Verde III e quadra 05, tendo seu termino na Rua Tonico Alegre, nesta cidade de Itaúna – MG.
Art. 2º A prefeitura Municipal de Itaúna providenciará a colocação de placas indicativas, bem como a comunicação à Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e à Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG.
Art. 3º As despesas decorrentes desta Lei ocorrerão por conta de dotações próprias do orçamento vigente do Executivo Municipal.
Art. 4º Revogadas as disposições em contrário, esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Justificativa

Expedito da Silva Campos, natural de Bonfim, é filho de Aurélio Campos e Rita Augusta de Oliveira. Sua família veio para Itaúna, indo residir no bairro Santanense, na década de 30, onde o pai foi comerciante e acionista da fábrica de Tecidos Santanense. Em 1946, com 13 anos, Expedito decide se matricular no Seminário do Caraça, onde estudou até 1951, obtendo o título do Curso de Humanidades.
Em 1952, muda-se para Niterói, Rio de Janeiro, para estudar Filosofia no Seminário São Vicente de Paula. Já em 1955, volta a Minas Gerais, indo morar na cidade de Santos Dumont, onde serve ao Exército Brasileiro, chegando a patente de 2° Tenente. No ano de 1956, casa-se com Thereza Juliano Boza Campos, com quem tem quatro filhos, Tereza Amália Campos, Myriam Christina de Campos Ramos, Aurélio Augusto da Silva Campos e Saulo José Américo da Silva Campos. Neste período desenvolveu sua vocação de professor e político, trabalhando em escolas da região e ocupando o cargo de Diretor da Escola Estadual Presidente João Pinheiro até 1968, paralelo a isso, foi assessor do então Deputado Wilson Modesto (PTB) e Diretor do antigo armazém social do Governo do Estado de Mina Gerais, SAPS. Graduou-se em Direito na Universidade Federal de Juiz de Fora em 1965.
Com o endurecimento da Ditadura Militar e a consequente perseguição política, Expedito Campos é afastado dos cargos que ocupa, assim, em 1969 retorna a cidade de Itaúna, indo lecionar no Colégio Santana, a disciplina de Direito Usual, e na Universidade de Itaúna, onde foi titular das disciplinas de Estudo dos Problemas Brasileiros, Sociologia e Teoria Geral do Estado. Em razão do reconhecimento obtido como profissional, ocupou na Universidade vários cargos administrativos, durante muitos anos, sendo os principais deles o de Membro do Conselho Universitário e Diretor Executivo, hoje cargo correspondente ao de Pró-reitor.
Além do reconhecido trabalho profissional, Professor Expedito ou Dr. Expedito, como era conhecido, realizou um grande trabalho religioso e social em Itaúna, pois atuou com destaque no Rotary Club local, foi Assessor Jurídico da Apac Itaunense por mais de 15 anos, Ministro da Palavra na Paróquia do Sagrado Coração de Jesus, sendo responsável pelos sermões da Semana Santa ao lado de outro eminente itaunense, Monsenhor Hilton. Além de membro de diversas pastorais, trabalhou como Advogado por vários anos, atendendo, solidariamente, aqueles que mais precisavam.
Dr. Expedito Campos teve grande participação político-social no município, principalmente na região do bairro Santanense, pois reivindicou inúmeras melhorias locais, é muito lembrado e admirado por moradores daquela localidade. Um cidadão destacado, daqueles que vieram para fazer diferença na vida de muitas pessoas, foi importante para Itaúna, foi importante para muitos itaunenses e é merecedor desta singela homenagem que buscamos fazer a este grande homem.


Sala das Sessões, 14 de novembro de 2017
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Alexandre Campos — Vereador PMDB / Itaúna-MG

Antônio de Miranda Silva — Vereador PHS /Itaúna-MG


       Expedito da Silva Campos



REFERÊNCIAS:
Pesquisa e acervo: Alexandre Campos
Organização e montagem: Charles Aquino
Projeto de Lei dos Logradouros: Prefeitura Municipal de Itaúna